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Redes Sociais 3 min de leitura

Por que esse vídeo do sapo teve 44 milhões de views?

Gabriel Souli

Guerrilha Digital

Instagram de Gabriel Souli

Um vídeo de sapos com IA e música infantil dos anos 50 fez 21 milhões de views.

Eu estava rolando o feed num dia comum quando apareceu um vídeo de sapos animados cantando uma música infantil brasileira com estética de baile dos anos 50.

Parei tudo.

Não porque era bonito, útil ou fazia algum sentido, mas por que eu precisava entender aquilo.

Assisti até o fim. Mandei pra três pessoas. Fui ver os números do perfil. 21 milhões de views. 1,5 milhão de curtidas. 74 mil comentários.

E aí eu fiz a pergunta que faço toda vez que vejo um conteúdo explodir de verdade: o que estava acontecendo aqui que o cérebro não conseguiu ignorar?

A resposta não estava na produção. O vídeo era simples. Personagens gerados por IA, música conhecida, estética retrô. Nada que exigisse equipe grande ou orçamento alto.

https://www.instagram.com/p/DX1sODAOzBq/

A resposta estava na combinação.

O perfil IA Batida pegou três elementos completamente separados e colocou no mesmo lugar: uma música que qualquer brasileiro de 25 a 50 anos conhece desde criança, uma estética visual que remete a uma época que a maioria nunca viveu mas reconhece como aconchegante, e uma tecnologia nova que ainda causa estranhamento.

Familiar. Nostálgico. Inesperado.

Cada um desses elementos sozinho não faria nada. Junto, criaram uma tensão que o cérebro não consegue resolver sem assistir até o fim.

Existe um princípio que eu ensino na Guerrilha Digital que esse vídeo ilustra muito bem. Todo viral que parece ter saído do nada tem uma lógica por trás. Ele não nasceu aleatório, ele nasceu da combinação certa de elementos que ativam, ao mesmo tempo, memória e surpresa.

Memória porque o cérebro humano para quando reconhece algo.

É um reflexo de sobrevivência, o familiar sinaliza segurança, e segurança prende a atenção antes de qualquer decisão consciente.

Surpresa porque o cérebro também para quando algo quebra o padrão esperado.

Sapos cantando uma música infantil em um estilo dos anos 50 não é o tipo de coisa que o algoritmo costuma entregar. E é justamente por isso que chama atenção.

Quando algo foge do padrão, o cérebro precisa parar por um segundo para entender o que está acontecendo. E nesse pequeno intervalo, a pessoa assiste.

Quando existe reconhecimento e quebra de expectativa ao mesmo tempo, fica difícil passar reto.

A pessoa para. Assiste. E, se aquilo for estranho o suficiente, manda para alguém. Neste caso do sapo, o ritmo do Blues é familiar, existe uma sincronia com a boca dos personagens, e o vídeo está realmente bem feito: desde os cortes até a estética.

Viral é o familiar que aparece de um jeito que ninguém esperava.

O Zona de Perigo do Léo Santana não virou o hit do carnaval de 2023 porque era uma música completamente nova, virou porque chegou na hora certa, do jeito certo, pra pessoa certa. O vídeo dos sapos não viralizou porque era algo inédito, viralizou porque pegou algo que todo mundo já conhecia e colocou num contexto que ninguém imaginava possível.

A pergunta que separa quem cria conteúdo que passa em branco de quem cria conteúdo que para é simples.

O que o meu público já conhece, já sente, já carrega... que eu posso apresentar de um jeito que ele nunca esperaria ver?

Não é uma pergunta fácil de responder. Mas é a pergunta certa. E utilizar a IA com um contexto sobre o que você faz e essa pergunta, vai te gerar ótimas ideias. Tenho absoluta certeza!

Quando você encontra a resposta, não precisa de 44 milhões de reais de produção pra fazer 44 milhões de pessoas pararem tudo.
Às vezes basta um sapo, uma música infantil e uma ideia que ninguém imaginou juntar .

Não foi sorte... dificilmente uma tacada de sorte atinge 44 milhões de pessoas. Tem uma lógica por trás do que viraliza, e ela muda como você pensa sobre criar conteúdo.

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